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sábado, 15 de maio de 2010


Tudo bem então. Vamos colocar o papo em dia e dizer que não está tudo bem hoje. Você sabe, assim como eu sei, que a vida é sem dúvida alguma, um penhasco devorador de gente e bastante perigosa, diga-se de passagem. Que não é apenas chegar e dizer que vai superar. Que não dá pra passar por cima das pessoas, ou dos problemas, ou das derrotas, e que essa opção tornará tudo mais fácil. Entenda, não vai. Toda essa fragilidade não acabará de um minuto pro outro. Quem dera fosse tão simples... Mas sabe também, mesmo que tenha lá sua desconfiança, que existe luz acima desse buraco. Então, por que não esticar o pescoço e ver o essa luz tem pra te mostrar? Mas não tropece nas pedras. Sabe do que eu estou falando, não é? Existe alguém que não te acha insignificante, que te protege e te guarda. Essa luz é Amor. Ele, acima de qualquer coisa, vai fazer você ter um bom dia hoje. E você, não vai precisar se levantar todos os dias suspirando com um pensamento de:“Hoje vai ser diferente. Vou ser feliz”, porque você será automaticamente. Se sentirá com paz de espírito. Se sentirá leve e pacifico. Quando a fragilidade vier, só converse com a Luz e diga o que te maltrata. Irá respirar e sentir que fez a coisa certa pela primeira vez. Bom, eu me senti assim...flutuante. Tente ficar bem hoje. E eu preciso colocar três pontos pra finalizar: Você. É. Importante.

sexta-feira, 23 de abril de 2010



Já parou pra pensar em todos os rostos que passaram por você? Repare em todos os vultos, costas e expressões. Sejam das mais vazias até as mais profundas, das mais exóticas até as mais comuns. Em todo modo de andar ou falar, apressado ou não. No jeito de ser, no penteado esquisito, nas botas...No sorriso sem graça. Nas vozes. Nas conversas que você ouviu por mero acaso...Naquelas pessoas que atravessaram a rua oposta ao seu destino. Nos olhos que encontraram os seus e que você esqueceu. Ou que ainda não esqueceu. Naquelas educadas que te disseram um único “Bom dia!”, mas que fez toda diferença. Naquelas que te fizeram se engasgar com um copo de coca-cola. Nas vidas que te fizeram pensar...Repare nas risadas. Lembre dos amigos de infância que permaneceram nela. Sabe aqueles estranhos no seu velho álbum de fotografias? Pense nas inúmeras pessoas que você nunca mais encontrará. Nas que você não se lembra. Nas que de início nem prestou atenção, mas que hoje são exclusivas no seu pequeno mundinho. Nas que te magoaram. Nas que tentaram te chamar a atenção, sem sucesso. Nos tipos de cabelo, raça, cor. Nos sonhos de cada uma delas. Pense nas pessoas que estão contigo até hoje. Nas que foram embora sem se despedir e que não voltarão. Nas que você vê todos os dias. Na diversidade ao seu redor. Nas que você se esbarrou. Se encontrou. Amou. Aprendeu. Disse adeus. Deu um abraço. Deu esperança. Nas que tiraram sua paciência. Nas que tiraram seu sono...Nas que com o tempo te ensinaram algo novo. Nas que te alertaram, te assustaram, te deram medo. Aquelas que atrapalharam seu caminho. Te seguraram no colo, brincaram contigo, mostraram o caminho de volta pra casa. Mostraram novos caminhos. Ou te deixaram perdido no meio de algum deles. Te defenderam. Riram de você...Da próxima vez, repare nos mínimos detalhes. Você encontrará em todo seu percurso de vida, pessoas que terá completa admiração, confiança plena e que te protegerão. Mas também, encontrará as que vão te decepcionar e te matarão por dentro. Porém, não pare de caminhar, continue mexendo os pés e aprendendo com todos esses rostos estranhos, belos ou feios, antigos ou novos. Terá uma multidão na memória, e as que forem pra ser, continuarão ao seu lado.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fazia um calor escaldante naquele dia. Steven sentia o suor descendo sob seu pescoço, a roupa grudando no corpo e o sol afugentando seus olhos. Queimando-os. Já haviam se passado 49 minutos que ele havia saído do portão escolar e se dirigido para o banco de espera. O tão sonhado ônibus matinal já deveria ter chegado. 50 minutos...56 minutos...58...Steven se encostou na parede e fechou os olhos pressionando-os com força. Pegou sua mochila, passou os dedos pelo zíper da mesma, abrindo-a. Enfiou sua mão e encontrou seu pacotinho de gomas de mascar verdes, último lançamento e que provocavam queimaduras na língua! Além de deixa-las na cor verde, claro. Sem se importar com o barulho, picotou com uma tesoura a embalagem e enfiou duas na boca. Mastigou-as lentamente, sorrindo e ignorando o olhar de duas cinquentonas que resmungavam enquanto ele mastigava em alto e bom som. Glap, glap, glap. Sentindo o gostinho azedo e picante da coisinha verde, a língua começou a pipocar e ficou arrepiada. Sentiu sede. Pegou seu bombom de maracujá e o enfiou na boca de uma vez. Steven riu de olhos fechados, sentindo a cosma que se formava na sua saliva. Prometeu a si mesmo que não beberia água.



A jovem Lina Poe estava totalmente absorta com a questão número 23 sobre “Bissetrizes em triângulos escalenos – Segunda parte”. A resposta certa (sua resposta), nunca batia com a resposta do gabarito. Esfregou a borracha impacientemente pela quinta vez sobre a folha branca lotada de triângulos, ângulos e tabelas. Pelas suas conclusões a resposta deveria ser aquela, não é? E ela nunca se enganava, certo? Erraaado. Enquanto ela passa o transferidor por sua folha, vou destacar os aspectos físicos de Lina: cabelos negros tipo chanel, olhos redondos da mesma cor. Magérrima, pálida e se você reparar bem, ela tem tendências a ficar bastante vermelha. Hábitos: Gosta de andar pelo parque municipal das cinco às seis da tarde, mas odeia natureza. Faz aulas de sapateado de segunda a quarta. E aulas de boxer para acalmar seu nervorsimo, nas terças e quintas. Mora sozinha com o avô padeiro Thomas num lar que fica perto da padaria. É hipocondríaca, tem até seu próprio estoque medicinal no fundo do armário. Sonha ser uma física aeroespacial brilhante. É determinada com o que quer. Sempre pontual. Não suporta filmes românticos - pelo menos foi isso que ela escreveu na sua agenda particular e secreta. Ela também odeia diários.



Melinda se reparou em frente o espelho. Se viu de lado. De costas. De frente. Pegou os cabelos vermelho-sangue longos e desgrenhados e os prendeu num coque malfeito. Seus olhos estavam vazios e fundos. Ela permaneceu cinco minutos se olhando através do reflexo: reparou nas manchas azuladas em volta dos olhos verdes, no tom branco do seu rosto fino, no seu corpo alto e magro; na cicatriz que havia no lado esquerdo da nuca. Prendeu a franja pra atrás e reparou nas unhas da mão descascadas de azul. Vestiu uma velha camiseta cinza que estava no chão, escrita “SHE LOVES YOU”, uma calça jeans surrada e chinelos. Passou pó compacto e blush, tentando afastar sua expressão sem graça. Tropeçou numa caixa de sapatos que estava no meio do caminho e encontrou seu celular embaixo da cama. E novamente, estava atrasada.
Melinda resolveu ser modelo há 8 meses atrás, depois de ser convidada por uma agência desse ramo. E afinal, porque não? E também porque, por mais que se esforçasse, não ia tão bem no colégio. E precisava de um futuro. Era muito desatenta, mas conseguia se virar sozinha enquando sua vida dependia disso. Bom, com uma certa dificuldade, e com atrasados, e com alguns tropeços...estava aprendendo. Morava num apartamento minúsculo que estava sempre desorganizado. E ela gostava dele assim, apesar de ter alguns hematomas no joelho por causa disso.

segunda-feira, 29 de março de 2010


A garota sentou-se numa cadeira em frente à um parque velho e abandonado. Tarde da noite. Estava voltando de um barzinho, como sempre fazia. Mas dessa vez, ao invés de arrancar seu carro acabado e voltar cambaleando para casa, ela parou e resolveu ficar sentada ali por alguns instantes. Sentia-se como se nunca mais fosse se encaixar de novo. É, ela estava completamente perdida. Desnorteada. Presa dentro do labirinto que ela mesmo criou. Acendeu um cigarro e o tragou, se perguntando porque ninguém passava naquela rua. Reparou nos brinquedos que haviam na sua frente, nenhum devia funcionar. Mas sentiu uma vontade enorme de correr até lá e entrar em algum que girasse, girasse, girasse até ela não conseguir mais enxergar o que tinha na sua frente. Só para deixar a mente vazia...calma. Respirou fundo e jogou o cigarro no chão. Olhou para o céu nublado. Iria chover. Nem se importou. Ela já estava vivendo uma tempestade há muito tempo.

Talvez um dia você encontre


Espero que um dia você encontre por aí, todas as palavras que eu usei pra tentar te convencer do que eu sinto. Todos os papéis que eu amassei de raiva, por não conseguir escrever sobre isso. Todas as dores que me provocou. Todas as lágrimas que eu derramei de saudade e todos os sorrisos que usei quando me faziam lembrar de você. Todos meus desabafos. Todas às vezes que eu tive vontade de ir até você e falar tudo que estava me matando. Todos os abraços e beijos que eu guardei. Todos os dias que eu perdi, tentando fazer você me notar. De um jeito de diferente. Todas as cicatrizes que se formaram com o tempo. Talvez o vento traga tudo isso pra você. Talvez nunca perceba tudo que já me fez sentir. Mas todas as lembranças vão sempre pesar dentro de mim.